RESENHA – O Ladrão de Raios, de Rick Riordan (2005)

O romance infanto-juvenil de Riordan dispensa apresentações: figura por várias semanas na lista dos mais vendidos, rendeu milhões de fãs entusiasmados, uma adaptação cinematográfica e litros de dinheiro. Mas há explicação para tanto sucesso? Em parte, sim. O livro tem lá seus méritos e sua estratégica inteligente de marketing, mas existem diversas obras do mercado que usam e abusam dessa mesma fórmula e não alcançam os números astronômicos da série. Está aí a parte inexplicável. Talvez seja o caso de todos os livros dos últimos anos que tiveram muito sucesso, como Harry Potter, Crepúsculo, O Código Da Vinci.

A construção narrativa do livro de Rick Riordan não podia ser mais simples, direta e, claro, reciclada até a última vírgula. Jovem que recebe poderes extraordinários. Aham. Uma missão incrível dada a pessoas que detém o futuro do mundonas mãos. Ah, tá. Três amigos que logo se tornam inseparáveis se metem em aventuras incríveis para salvar o mundo. Pois é. O autor não perde tempo tentando dar complexidade ou aprofundamento à obra, abusando de uma escrita clara e, obviamente, superficial.

Palavras difíceis passam longe do livro. Lirismo? Nem pensar. Colocando desse modo, pode-se imaginar uma bosta de livro. Mas não se trata disso. A narrativa pode ser simples, mas é bem amarrada, não tem incongruências lingüísticas, é rápida e não cansa. Certamente destinada a preguiçosos  leitores juvenis.

Embora alguns muitos discordem, Percy Jackson se assemelha – e muito– a Harry Potter. Segue a trilha de JK Rowling em certos aspectos, acertando em alguns e errando em outros. Numa visão geral e primeira (só li os dois primeiros livros da saga resenhada aqui), Percy Jackson está claramente atrás de Harry Potter. Não se trata de sucesso ou vendas, trata-se de qualidade. Há menos magia, menos perspicácia, menos personagens interessantes.

O tema da mitologia grega foi, no geral, uma sacada genial. Uma modernização com heróis jovens e próximos do público, que podem render situações muito boas numa mistura de antiguidade com tempos contemporâneos.  Personagens carismáticos recheiam a trama, assim como cenas de ação instigantes, tiradas cômicas, aventuras, mitologia e mistérios.

Para não perder o hábito, foi feita uma capa com o tema do filme.

Tudo isso cai, porém, numa simplicidade absurda. Simplicidade essa que talvez nem possa ser vista como erro, mas que pode perturbar às vezes. Pois TUDO é simples demais. Vê-se claramente que o público-alvo são crianças e adolescentes, mas não dá para culpar Riordan por isso. O estranho é que vejo muitos adultos exaltarem o livro como uma obra sem precedentes, maravilhosa. Desculpem-me, mas ela está muito, mas muito distante disso. Leitores da faixa jovem já citada realmente são levados a amar esse tipo de livro (eu, quando era mais jovem, por exemplo, adorava muito Harry Potter e semelhantes), mas outros mais maduros me surpreendem por atribuir valor tão elevado a saga do moleque da caneta semideus.

Como em praticamente qualquer livro, incongruências existem. E irritam qualquer leitor que se dá ao direito de ser miimamente crítico, como este que lhes escreve. Por exemplo: como um menino de 12 anos é incumbido de salvar o mundo? Os fãs podem me tacar pedras e lançar mil argumentos, mas isso é difícil de engolir, até porque qualquer resposta a minha pergunta deveria estar no próprio livro.

Há na obra, portanto, atributos positivos, como uma trama bem-amarrada, tema genial, idéias ótimas e ação bem-colocada, e outros negativos, como diversas incongruências, simplicidade, clima de “vamos
lá, vamos salvar o mundo na sessão da tarde!” e roteiro reciclado.

O Ladrão de Raios se mostra um romance digno dos jovens leitores e de um mercado que valoriza esse tipo de produto. Embora falem maravilhas desse livro, ele não é nenhum clássico contemporâneo e não passa de
mediano.

Recomendado para todos que apreciam um bom entretenimento, com algumas rápidas horas de diversão e fantasia.

NOTA…6,0

O bem-sucedido autor da série Percy Jackson.

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Publicado em segunda-feira,1 agosto,2011, em Literatura, Resenhas Literárias e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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