CRÍTICA – O Espetacular Homem-Aranha (2012)

Assim como os verdadeiros fãs de super-heróis e, especialmente, do Amigão da Vizinhança, estive extremamente preocupado com o que fariam com um dos meus heróis preferidos (ao lado do Wolverine e Batman). A apreensão era maior pelo fato de estarem arriscando relançar a franquia, tal como a Warner fez com o bem-sucedido Batman.

É muito difícil eu falar de cinema aqui no blog, mas nesse caso me senti na necessidade de fazê-lo. Mas enfim, como foi este novo Aranha? Foi bom? Foi razoável? Ruim? Bom, a minha opinião está logo aí embaixo.

Cinco anos após a malfadada terceira parte da trilogia de Sam Raimi (diretor de Arraste-me para o Inferno), a Sony retorna com um novo filme e uma nova franquia (um segundo longa deve aparecer lá para 2014), tentando reconquistar os fãs decepcionados com a última adaptação e angariar novos, rejuvenescendo a saga, com novos conceitos, nova história, novos atores.

Primeiramente, deve-se ressaltar que o elenco está simplesmente perfeito. Andrew Garfield encaixa-se muito bem como Aranha, e tem uma química excelente com Emma Stone (no papel de Gwen). O romance dos dois é verossímil e interessante. Além desses, temos Denis Leary como Capitão Stacy, construindo uma boa oposição de ideias com Peter, o tio Ben (Martin Sheen, impecável), além do imprescindível vilão Curt Cornors,  vivido por Rhys Ifans.

O único ponto negativo do elenco é a imortal Tia May, que não possui nem metade do carisma que a personagem demonstrava nos filmes de Raimi. Dessa vez ela soa simplesmente chata. Ainda sobre elenco, Cornors pode até ser um bom vilão, mas o duende verde ou o Octopus eram bem mais impactantes em seus discursos.

Um elenco bem escolhido

O novo protagonista apresenta certas mudanças em relação ao antigo: saem a caracterização completa de nerd, a timidez excessiva e a cara de idiota; entram um skate, atitudes mais explosivas, visual mais “descolado”. O novo aranha ainda é um adolescente excluído, mas não se acovarda diante dos valentões. Tudo que ele precisava para acabar de vez com esses eram os poderes – e uma namorada, claro.

A conquista de um poder novo, estranho e surpreendente cai como uma luva para Peter Parker. Ao invés de usá-los necessariamente para salvar vidas, ele parte em busca de vingança pela morte de seu tio, e a descoberta das responsabilidades e deveres morais vêm depois, ao longo de sua formação como herói.

A nova caracterização de Peter talvez incomode alguns fãs, agrade a outros… é mais questão de opinião. Nesse ponto, o filme se afasta da trilogia anterior e ganha alma própria, o que é muito bom (talvez não para todos…). Em muitas partes do longa não se trata de discutir quem é o herói, mas quem é o homem que sobra quando se retira a máscara.

Outro ponto diferente é a nova fotografia, bem mais escura que a dos filmes antigos, trazendo o herói para um clima menos engraçado, mais dramático. Os efeitos obviamente seguem essa tendência, soando bem mais fluidos do que antigamente e criando espetaculares sequencias de luta.

O novo Homem-Aranha é tratado, apesar dos poderes sobre-humanos, com fragilidade diante de um inimigo mais forte que ele e de situações dramáticas complicadas, seja com um tiro que o deixa incapacitado ou com a escolha de fazer ou não a coisa certa. Isso ajuda a humanizar o protagonista e a dar-lhe contornos críveis.

Interessante notar que o espírito das HQs do herói permanece vivo: o senso de justiça, os problemas, as piadas infames no meio da luta. O público em geral consegue sentir um carisma imenso no novo Peter, e os mais conhecedores sentirão uma fidelidade satisfatória com os quadrinhos (sim, os lança-teias estão lá!). Os que não pensam assim deveriam considerar que é impossível ser completamente fiel, e mídias diferentes pedem abordagens diferentes.

As comparações com o primeiro Homem-Aranha serão inevitáveis, e até cabíveis, uma vez que faz pouco tempo desde o primeiro filme e tudo ainda está fresco demais em nossas mentes. Nesse caso, cabe a cada um julgar se prefere esse ou de 2002. Pessoalmente, fico com esse, uma vez  que mostrou uma história menos caricata e mais dramática, com um clima mais real e mais compatível com o próprio cinema. Porém, a trilogia de Raimi continua boa (menos o terceiro filme!), principalmente na sua segunda parte.

Mesmo sem ter falhas graves, alguns pontos poderiam ter sido melhorados a fim de deixar o longa perfeito, o que não foi o caso. Para começar, perdeu-se muito tempo recontando toda a origem dos poderes e sobre o tio e tia e tudo o mais. Sim, o drama principal da vida do aranha continua lá, da forma que deveria ser, mas é um pouco desnecessário, uma vez que ele foi devida e competentemente narrado na franquia anterior.

Ademais, algumas pontas ficam soltas no roteiro: o homem que o lagarto perseguia na ponte e que estava preso no carro, onde foi parar? Apesar do final ser emblemático e ter um bom ritmo, não poderia ser um pouco menos clichê? Coincidências preguiçosas de roteiro nem se fala, não é? Precisava mesmo deixar tanta coisa para se resolver na sequencia? Concluir o arco aqui teria sido bem mais interessante.

Mas não, esses erros não estragam a experiência cinematográfica da adaptação, até porque a maioria vai passar bem longe de perceber alguma dessas coisas. É um filme com vários pequenos defeitos, mas que ainda assim é competente no que se propõe.

Misturando drama, romance, ação e ótimos efeitos especiais, Webb (de 500 Dias com Ela) conseguiu dar um bom pontapé inicial no que pode vir a ser uma franquia superior a primeira, com um Homem-Aranha menos nerd e mais descolado, mas ainda assim atormentado pelas agruras da adolescência e pela responsabilidade necessária para usar os poderes que recebeu, ou seja: o bom e velho herói que tanto adoramos.

Pode até não ser espetacular, mas ainda sim é bom.

Nota 8,0

PS: Só a cena com Stan Lee já vale  metade do ingresso!

PS de novo: Esperem um pouco nos créditos, tem uma cena com um gancho… instigante.

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Publicado em terça-feira,10 julho,2012, em Cinema, Críticas de Cinema e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

    • Depois de ter feito a resenha, até achei que dei uma nota alta demais… mas daria no mínimo um 8 para o filme… bom, aí a opinião fica mais pessoal mesmo… o Cinema com Rapadura, por exemplo, deu as notas 7 e 10 em duas avaliações para o filme,,, e eu bem gosto das resenhas deles, geralmente.

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