CRÍTICA – Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)

Em 2005, Batman Begins foi lançado, com a proposta de revitalizar a franquia do herói nos cinemas, trazendo-o para uma ótica mais realista e sombria, diferentemente dos filmes anteriores do herói, onde em alguns deles vimos um exagero visual extremamente piegas. O aclamado diretor Cristopher Nolan tinha uma missão importantíssima na mão, e não decepcionou: Batman Begins é um ótimo filme de herói e um início promissor para a saga.

Três anos depois, Nolan retornou à franquia do morcego, com um filme que será lembrado ainda por muito tempo: Batman – O Cavaleiro das Trevas, uma história dramática, emocionante, sombria e que trouxe o personagem para o hall dos melhores filmes da década, com um roteiro excelente e um coringa assustador, magistralmente interpretado pelo falecido Heath Ledger, vencedor do Oscar na época.

Agora, sete anos após o início da saga, temos o final da maior trilogia de quadrinhos no cinema em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Foi em clima de despedida que fui ao cinema, ansioso por ver um dos meus personagens preferidos numa boa história mais uma vez. E realmente não me decepcionei!

No novo longa, faz sete anos que o Batman está fora de ação, uma vez que Gotham está em paz desde o final do filme anterior, onde Batman e o comissário Gordon mentiram sobre a morte Harvey Dent para exaltá-lo como herói e criar um símbolo de esperança para a cidade. Porém, um novo inimigo surge para trazer novamente o caos: o mercenário Bane, que obriga Bruce Wayne a retomar seu manto e ressurgir como herói.

É incrível notar os danos físicos e morais que Bruce (Bale, mais que confortável no papel) acumulou ao longo dos anos como vigilante e como seu corpo já não responde da mesma forma. Além disso, não consegue seguir em frente em relação a morte de sua amada Rachel. Isso humaniza demais o personagem. É até curioso notar que as aparições do Batman são curtas em relação a duração total do longa, uma vez que o foco dado a Wayne é muito grande.

Vale ressaltar o competente elenco de coadjuvantes: Hathaway está belíssima como a ladra Selina Kyle, o imortal Morgan Freeman é o sempre agradável Lucius Fox, Gary Oldman retorna como nosso querido Jim Gordon, temos Joseph Gordon-Levitt no papel do policial John Blake,  e o melhor de todos: Michael Caine no papel mais dramático e emocionante: Alfred, o fiel mordomo de Bruce, praticamente um pai desesperado com a condição de seu filho. A única ressalva é a atriz que interpreta Miranda, dona da única atuação negativa da película.

Tom Hardy interpreta Bane, o mais novo vilão da saga. Embora não tão emblemático e memorável quanto o Coringa, Bane é um ótimo antagonista, um brutamontes mais forte que o Batman e dono de um discurso assustadoramente ressoante. Mesmo com os problemas técnicos no áudio de sua voz, temos um inimigo digno do Morcego.

O fim da Lenda

O longa mostra desde o começo que será algo épico, grandioso. E realmente o é. Surge como o mais quadrinesco da trilogia, com cenas e referências dignas das melhores histórias em quadrinhos do Batman. Porém, o realismo ainda é a regra: Nolan cria diversas cenas eletrizantes, mas tentando ser o mais pé no chão possível. Ele é bem-sucedido, no geral.

Recheado de ótimos diálogos e sequências de tirar o fôlego, a história de Nolan amarra as pontas soltas de toda a trilogia, sem grandes erros de continuidade e recheado de um tom de preparação como que para o fim de uma grande obra – e é isso mesmo o que vemos. Embora cada um dos filmes de Nolan seja uma história amarrada, assistir todos de uma vez é muito mais divertido e recompensador. Não se trata simplesmente de três filmes, mas sim de três atos de um arco completo de histórias.

As cenas de ação estão simplesmente sensacionais, com tudo que um verdadeiro blockbuster deve ter. As tomadas mostram-se muito naturais e até o grandioso veículo voador não parece deslocado em meio aos edifícios da cidade de Gotham. As linda filmagens compõe um magnífico espetáculo audiovisual.

Outro ponto técnico de tirar o chapéu é o aspecto sonoro da fita, trabalhado com maestria pelo compositor Hans Zimmer. A carga que o som impõe a história pode ser observada tanto no seu ápice quanto na sua ausência (a cena da luta no esgoto é impressionantemente crua e chocante).

O ressurgir de um herói

O filme possui falhas? Sim, claro, como qualquer coisa feita por mãos humanas. No primeira parte da projeção, por exemplo, um certo personagem descobre a identidade do Batman com uma justificativa bem forçada. Alguns pequenos furos inexplicáveis – a explicação da origem de Bane e a ligação dele com o protagonista soaram forçados ao final – estão sim presentes, mas não é nada que prejudique a experiência cinematográfica como um todo.

Ao apagar das luzes, já ficamos com saudade de tudo que foi feito nos últimos anos com um dos maiores heróis dos quadrinhos de todos os tempos. Nolan entregou aos velhos e novos fãs tudo o que eles esperavam: ação, drama e aventura na medida certa. Nada que se fará com o Batman a seguir estará isento de comparação, pois agora temos um padrão de qualidade a se seguir – e a ser cobrado. É complicado dizer qual dos três filmes é o melhor (impossível não se questionar), basta dizer que é uma questão muito pessoal (eu fico realmente indeciso entre o terceiro e o segundo).

Portanto, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um ótimo blockbuster, que cumpre todos os seus propósitos, principalmente o de trazer o Homem-Morcego para uma espetacular história contemporânea de super-herói.

Muito, muito recomendado.

NOTA: Merece um grandioso 10!!!

PS: E agora? A franquia sofrerá um reboot, como tantas outras sofreram, ou será continuada? Peraí, temos um gancho para uma continuação? Não, nada de spoilers…

PS de novo: Por favor, revejam os dois primeiros filmes antes de assistirem ao terceiro, será muito mais proveitoso!

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Publicado em quinta-feira,2 agosto,2012, em Cinema, Críticas de Cinema e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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