RESENHA – Dragões de Éter – Círculos de Chuva, de Raphael Draccon (2010)

Círculos de chuva

OBS: Caso ainda não tenha conferido, dê uma olhada na resenha dos outros dois volumes da série: Caçadores de Bruxas e Corações de Neve.

ANO: 2010

ORIGEM: Brasil, São Paulo

EDITORA: Leya

PÁGINAS: 534

GÊNERO: Fantasia Clássica

“Cada lágrima que você derrama é um círculo que se abre ou se fecha dentro de você. (…) cada lágrima derramada é preciosa, pois as alegrias nos dão sentido, mas são as cicatrizes que nos tornam mais fortes.”

ATRIBUTOS:

+ Lirismo aventuresco

+ Grandiosidade épica

+ Personagens cativantes

+ Narrativa dinâmica e criativa

+ Mundo simplesmente fantástico

– Final pouco ambicioso

– História engasga em alguns momentos

Encerra-se, aqui, um ciclo. A trilogia Dragões de Éter, do brasileiro Raphael Draccon, tem seu derradeiro final no terceiro volume, um clímax formado por velhos conhecidos dos leitores, uma guerra de proporções colossais e uma história recheada de fantasia, emoção e aventura. Draccon tece este final com eficácia e dá aula de como escrever fantasia.

Tempos conturbados chegaram; muita luta será necessária, uma vez que uma guerra global entre os povos está por vir. O rei deve mover suas peças, o príncipe deve cumprir seu destino, o jovem escudeiro deve enfrentar a morte, o malicioso pirata deve desbravar os mares, uma menina deve descobrir a magia, homens devem guerrear. E alcançar a glória. Ou morrer.

Os personagens da obra apresentam uma relação íntima e positiva com o leitor, que muitas vezes torcerá efusivamente por eles. Isso é resultado de um trabalho primoroso de caracterização. Todos foram ganhando forma desde o primeiro volume e aqui têm suas facetas devidamente concluídas. Como comentei na resenha do antecessor, os meus preferidos são, sem dúvida, João (que participa dos momentos mais fortes da trama) e Snail (um personagem do qual é impossível não gostar). Ainda sim, existem vários outros que são bem interessantes, como a Bradamante e o próprio Rei Branford. Vale ressaltar, porém, que alguns deles poderiam ter tido participação maior, caso dos anões, de Axel e Robert (esse último completamente sumido).

A trama começa cadenciada, mas logo adquire um ritmo frenético, prendendo até o final. Uma das razões para isso, além da narrativa bem fluida, é a já conhecida divisão em capítulos curtos, que se encaixa perfeitamente aqui. As várias parcelas do roteiro intercalam-se numa progressão muito interessante.

Chuva

O já conhecido tom poético retorna tão bom quanto antes. O autor mascara-se de um bardo contador de histórias, um falante de mesa. Essas e outras aproximações dão um ar totalmente próprio ao romance, culminando em uma experiência metalinguística repleta de charme e desenvoltura.

O livro de Draccon está recheado de todos os ingredientes necessários para se construir uma boa fantasia, desde lutas épicas a criaturas da imaginação. O mundo criado por ele, assim como nos clássicos fantasiosos de Tolkien e Lewis, possui toda uma organicidade, onde os elementos inseridos no ambiente fazem todo sentido e não estão simplesmente jogados. Nova Ether esbanja criatividade, imaginação e sentimentos dos mais diversos.

O desfecho do livro, no entanto, não encerra a história, deixando inclusive muitas coisas a se decidir. Esse talvez seja um dos poucos defeitos da obra. Ao invés de concluir o roteiro, ou ao menos ousar um pouco mais (poucos personagens morrem, por exemplo), muitas pontas ficaram para o futuro. Alguns podem até gostar do fato, mas soou um tanto frustrante. Além disso, a história perde um pouco da fluidez lá para o meio do livro e possui certas partes que poderiam ser enxugadas. Felizmente, não é nada que prejudique o ótimo resultado final.

Ao fim da leitura, uma coisa é certa: se finda uma das melhores séries dos últimos anos. Poucas conseguem ter a voz ao mesmo tempo abrangente e lírica que esta possui. É um marco para a fantasia nacional e a prova concreta de que nossos autores têm tanta capacidade quanto quaisquer outros lá de fora.

Círculos de Chuva talvez não seja o melhor livro da saga, mas não deve nada a nenhum outro do gênero do qual faz parte. Raphael Draccon foi muito feliz em sua criação e atingiu seus objetivos com méritos, pois concebeu aqui uma ótima série de fantasia.

As mágicas aventuras de Dragões de Éter são muito recomendadas a qualquer um que aprecie o gênero e até mesmo a quem não o faz; todos deveriam ter noção de como é divertido se deliciar em intermináveis páginas de imaginação.

Elas deixarão, de fato, saudades. Até, quem sabe, a próxima viagem.

NOTA 9,0

Site do Autor Raphael Draccon: http://www.raphaeldraccon.com/blog/

E também uma excelente entrevista de Draccon no Omelete: http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=9kx9jyS9krw

Trilogia

O fim da saga?

 

Anúncios

Publicado em segunda-feira,3 dezembro,2012, em Literatura, Resenhas Literárias e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: