RESENHA – Frente de Tempestade, de Jim Butcher

Descubra aqui porque você deve ler Fantasia Urbana, como o universo fantástico e o policial podem conviver e de que forma o livro de Jim Butcher é um ótimo representante do gênero.

frente-de-tempestade

INFORMAÇÕES:

TÍTULO: Frente de Tempestade

TÍTULO ORIGINAL: Storm Front

AUTOR (A): Jim Butcher

GÊNERO: Fantasia Urbana

ORIGEM: EUA

ANO DE LANÇAMENTO: 2011

ANO DE LANÇAMENTO ORIGINAL: 2000

NÚMERO DE PÁGINAS: 340

EDITORA: Underworld

 

SINOPSE:

Harry Dresden é o melhor no que faz. Bem, tecnicamente, ele é o único a fazer esse trabalho. Então quando a polícia de Chicago se depara com um caso que transcende a criatividade ou capacidade humana, eles vem até Harry para obter respostas. O mundo cotidiano está na verdade cheio de seres estranhos e mágicos – e a maioria desses seres não se dão muito bem com humanos. É aí que Harry entra. Afinal é preciso um mago para agarrar – bem, qualquer tipo de coisa.

Só existe um probleminha. Os negócios, para colocar em meio-termo, não vão nada bem. Então quando a polícia o chama para uma consultoria em um caso de duplo assassinato cometido com magia negra, a única coisa que Harry enxerga são os dólares que irá ganhar. Mas onde existe magia negra, existe um mago negro por trás dela. Agora esse mago conhece o nome de Harry. E é então que as coisas começam a ficar um pouco… interessantes.

frente de tempestade

RESENHA:

A noção tradicional de fantasia nos remete a um mundo completamente novo e quase que totalmente avesso aos elementos de nossa realidade. No entanto, nem todas as vertentes do gênero tomam esse caminho. Refiro-me aqui à fantasia urbana, subgênero que trata do limiar entre o factual e o imaginário, buscando criar metáforas com relação ao nosso próprio mundo, a fim de entendê-lo e criticá-lo – algo que a fantasia clássica também procura fazer, ao seu modo.

No caso de Frente de Tempestade, do americano Jim Butcher, o objetivo é aliar o romance policial à fantasia, acompanhando os passos de um bruxo e investigador sobrenatural chamado Harry Dresden, o qual se vê frente a um caso perigosamente atípico, que lhe obrigará a utilizar todas as suas habilidades, mágicas ou não, para solucionar o mistério e salvar a própria pele.

A trama policial de Butcher é certeira: os conflitos pipocam freneticamente ao longo das páginas, sem permitir que o leitor retome o fôlego; seu ritmo rápido e intenso logo o faz estar submerso no romance. Os eventos transcorridos são devidamente amarrados e nos levam a um final digno e recompensador.

No que diz respeito à fantasia urbana, um grande desafio para qualquer escritor é a maneira que esse deve articular a realidade do fantástico a do real, de forma a não parecer aleatório ou simplesmente jogado. Pode-se dizer que o autor o faz muito bem, uma vez que o interesse pela mitologia do livro só tende a crescer no decorrer das páginas. O cenário de Frente de Tempestade remete-nos a uma arena onde diversos combatentes lutam para maximizar seu poder – e Harry está bem no meio da tal tempestade. Os elementos mágicos envolvidos – feitiços, poções, rituais, vampiros, fantasmas, demônios – desenvolvem-se de maneira muito interessante e dão um toque diferenciado à história investigativa.

A capa original.

A capa original.

Vale dizer que Harry Dresden e sua personalidade são uma qualidade por si só. Os personagens do livro estão em geral bem caracterizados, mas o protagonista obviamente se destaca. O papel do anti-herói lhe cai muito bem. É um homem que, apesar de não praticar vilanias, não chega a ser um exemplo de heroísmo, procurando somente tocar seu negócio de investigação paranormal. Suas manias e defeitos, sublinhados pela narração em primeira pessoa (que, diferentemente de muitos casos, aqui não soa pobre ou mal articulada) mostram-se verossímeis e interessantes, fazendo-nos torcer por ele.

É difícil encontrar um elemento específico do qual reclamar na obra de Butcher, já que seu trabalho encontra-se recheado de elementos criativos e bem estruturados. Todavia, a inclusão de certas explicações poderia vir a calhar, assim como a formulação diferente de um ou outro conceito que nos parece incongruente ou pouco aprofundado. Muitas vezes, um livro não perde pontos por excesso de erros, mas por falta de certos acertos.

A edição da editora Underworld mais uma vez deixa a desejar no quesito revisão de texto, como já havia explicitado na resenha de Sete Selos. Expressões do tipo “comoque nem” aparecem com certa frequência e podem incomodar. Fora isso, a edição está agradável, inclusive com uma bela e chamativa capa e paginação confortável.

Portanto, Jim Butcher fez o que muitos tentam sem sucesso: aliou a dimensão do concreto àquela atrelada ao imaginário humano, usando como instrumentos um protagonista simpático e uma trama redonda. Pode não ter sido um trabalho inovador ou genial, mas tem seus méritos por nos mostrar que é possível estruturar uma digna história policial num mundo onde a magia é real – e perigosa. Uma excelente narrativa, uma trama viciante e personagens carismáticos unem-se para dar luz à sombria e envolvente realidade da fantasia urbana.

Jim Butcher.

Jim Butcher.

DE BOM E DE RUIM:

+ Trama policial bem estruturada

+ Ótima articulação entre realidade mágica e real

+ Ritmo intenso e veloz

+ Protagonista interessante

+ Narrativa fluida em primeira pessoa

– Revisão sofrível

LIVRO NOTA… 9,0 – Uma fantasia urbana concisa e bem contada, do jeito que deve ser.

Vitor aprovou!

Vitor aprovou!

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Publicado em quarta-feira,18 setembro,2013, em Literatura, Resenhas Literárias e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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